sábado, 23 de maio de 2009

Bolero de Ravel


Caríssimos,

acabo de chegar de mais um dos meus programas "jovens idosos", que dessa foi foi uma magnífica apresentação de Bolero de Ravel pela Orquestra Sinfônica Portuguesa.

A companhia da Verônika fez-me lembrar dos tempos do Sagrado, quando tivemos de ler o "Sentimento do Mundo" para o vestibular, com direito aos ensinamentos da nossa querida professora Glória (aquela que eu fazia questão de transportar-lhe os materiais de uma sala pra outra e dizer que aquele era meu "momento de Glória").


Imbuída nesse espírito poético-musical-saudosista, trago à baila um poema do livro:

Bolero de Ravel

A alma ativa e obcecada
enrola-se infinitamente numa espiral de desejo
e melancolia
Infinita, infinitamente...
As mãos não tocam jamais o aéreo objeto
esquiva ondulação evanescente
Os olhos, magnetizados, escutam
e no círculo ardente nossa vida para sempre está presa
está presa...
Os tambores abafam a morte do Imperador..


1ª Nota extraída da net (somente para aqueles que pertencem ao meu grupo, dos que lêem Drummond e ficam com aquela cara "era pra entender?". Se vc não é desses, avance uma nota.):

A música “Bolero de Ravel”, foi criada instintivamente pelo maestro Maurice Ravel (1875-1937), que queria fornecer um exercício prático que envolvesse todos os nypes musicais e uma orquestra (cordas, percussão, metais e sopro). Trata-se de uma canção repetitiva, que apenas retorna ao seu tema a todo instante, e a cada repetição, intensifica um pouco mais a sua força.

Drummond trabalha as características da canção no seu poema, principalmente ao citar: “infinita, infinitamente”, “ espiral de desejo” e “círculo ardente”.

Seu valor intrínseco está na capacidade contrastiva que o poeta estabelece entre a alma ativamente aplicada ao desejo e à vida e o obstáculo, a distração ou o barulho que prendem ou abafam a entrega profunda à vivência a ser protagonizada pelo homem vivo. A dinâmica da vida é destacada com leveza e verdade.


2ª Nota extraída da net:

A praia fluvial do Jacaré ou praia do Jacaré/PB, é um pequena área turística de Cabedelo. Nessa área estão concentrados bares, restaurantes, hotéis, casas de artesanato, casas de pescadores, etc.

A praia é conhecida graças ao seu pôr-do-sol. É nesse momento que Jurandy do Sax (atual recordista mundial de pessoa que mais tocou o Bolero de Ravel) entra em um barco e toca saxofone até o sol se pôr.

2 comentários:

  1. Eu fui lá ver o por-do-sol em Cabedelo! :) Vamos inaugurar nossa casita com o bolero de Ravel então?

    xxx

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  2. Pois então, a moda de ver o sol se por ao som inconfundível de Ravel já se espalhou. Na Bahia, em Morro de São Paulo, há uma pousada com o sugestivo nome de Pasárgada, que toca o Bolero sincronizado com o belíssimo por-do-sol da ilha.

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